O Projeto

    O Projeto Humanizarte nasceu do sonho de duas acadêmicas que nasceram quase na mesma cidade, quase no mesmo dia e quase tiveram o mesmo nome: Roberta e Robenia.

    Quando Robenia ingressou na Faculdade de Medicina de Itajubá, em 2005, sonhava com uma medicina onde o paciente pudesse, acima de tudo, receber conforto e que, de alguma forma, conseguisse fazê-lo esquecer todo o mal que o afligia. Como fazia teatro antes de entrar nesta Faculdade, imaginou que a arte poderia ser uma saída para auxiliar o sofrimento humano.
    Roberta fazia parte um grupo de alunos que visitava o hospital para cantar para os pacientes, porém todos iam de branco e jalecos, assim como alunos do curso medicina vão ao Hospital Escola. 
    Juntas, as acadêmicas sonharam em humanizar o relacionamento médico/paciente, e trouxeram a "cor" para o grupo. Passaram a se pintar e se caracterizar como palhaços, vestindo roupas e chapéus coloridos; não só cantando, como também brincando, contando histórias ou simplesmente ouvindo os pacientes. Os sonhos dessas duas estudantes se uniram em um único objetivo: levar ao paciente conforto, alegria e um pouco de humanidade através da arte. Nascia, então, o PROJETO HUMANIZARTE - medicina humanizada com a arte, fundado, em 28 de Março de 2006, sendo um órgão composto por acadêmicos da Faculdade de Medicina de Itajubá, vinculado ao Diretório Acadêmico “8 de Outubro”. O projeto possui duração indefinida, sendo uma sociedade civil não religiosa, apolítica e sem intenções lucrativas. Tem sede na cidade de Itajubá, Minas Gerais.
    No início do Projeto, elas sofreram muito com o preconceito de alguns professores, que não acreditavam que essas ações pudessem interferir de alguma maneira no estado funcional do paciente, diziam que "isso" era perda de tempo, que o hospital era local de silêncio e que este grupo só incomodava os pacientes. 
    No entanto, a humanização da medicina entrou em destaque em todo país, estudos demonstravam como momentos de alegria poderiam interferir no melhor prognóstico do paciente. E assim, aos poucos, foram conquistando seu espaço, ganhando mais rostos pintados, aprendendo como confortar e, acima de tudo, adquirindo um conhecimento que não se aprende em salas de aulas da Faculdade, mas sim através de disponibilidade e a abdicação de uma tarde de estudo ou lazer para ir ao Hospital alegrar um paciente. Aprenderam que todos nós, como médicos, nem sempre poderemos curar ou aliviar a dor, mas poderemos confortar o sofrimento, e "isso" vale muito.
    Para ingressar no Projeto Humanizarte, o acadêmico do curso de medicina deve se submeter ao processo seletivo, realizado no início de cada ano letivo. A seleção conta com entrevista realizada pela diretoria. Os critérios analisados durante o processo de seleção são: disponibilidade e interesse do acadêmico em realizar atividades voluntárias, aptidão artística, capacidade de relacionamento, interação com o paciente, espontaneidade, vontade de fazer a diferença.
    Atualmente o Projeto Humanizarte é composto por 24 membros, os quais se subdividem em quatro grupos designados pelas cores AZUL, VERDE, VERMELHO, ROXO. Estes grupos “levam cor” aos pacientes do Hospital Escola da Faculdade de Medicina de Itajubá. Visitam esses estabelecimentos levando o humor e a esperança, que são bons auxiliares no tratamento dos doentes. 
    O Projeto conta com reuniões teóricas quinzenais, nas quais ocorrem oficinas para a caracterização dos membros em “palhaços do Projeto Humanizarte” e desenvolvimento de suas aptidões; e reuniões práticas, em que são realizadas visitas semanais ao Hospital Escola da FMIt, onde os grupos colocam em prática o aprendizado das reuniões teóricas mensais.
    A especialidade deste grupo é animar pacientes com brincadeiras para reduzir o sofrimento, pois percebemos o quanto as emoções podem influenciar em nossa vida e, a partir de então, começamos a dar mais importância aos sentimentos das pessoas.
    Para a acadêmica Mayra Lopes “Os membros do Humanizarte tornam mais feliz a vida hospitalar, utilizando-se da figura mítica do palhaço. “Ser palhaço é grande honra e responsabilidade, afinal, sempre há aqueles que têm por linda missão fazer rir, e sempre haverá aqueles que precisam de quem espalhe sorrisos, poupando o paciente da saudade e muitas vezes do abandono da família”. 
    O projeto tem como preocupação tomar os devidos cuidados quanto à segurança de disseminação de doenças durante as visitas, além de auxiliar a cooperação do paciente para a realização de exames e ainda ajudar na adesão do paciente à terapêutica. 
    Muitos estudos mostram que a emoções, o perdão, a alegria e a esperança podem acelerar o processo de cura. É gratificante poder fazer algo de positivo para os pacientes, mesmo os terminais, pois o sabemos respeitar o NÃO do paciente em um mundo onde a alimentação, a injeção, os remédios e o sono são obrigatórios.
    São intenções do Projeto a promoção de saúde e o auxilio na manutenção da saúde mental do indivíduo. Atuamos todo o tempo para concretizar nossos sonhos de cultivar as relações por meio da troca de experiências, amizade, humor, confiança. É preciso a clínica para cuidar do corpo e a arte para aliviar a alma. 


Paloma Alves da Silva Ferreira
Vice Presidente do Projeto Humanizarte